A semana passada entrevistei a Filomena Teixeira, conhecida de quase todos os portugueses por ser a mãe de Rui Pedro, o menino que desapareceu em Lousada há já nove anos. Esta profissão, às vezes, é ingrata, porque é claro que a razão para a entrevista a Filomena foi a pequena Maddie que desapareceu no Algarve há poucos dias.
Seja como for, todos os motivos são bons se servirem boas causas.
Conhecer a Filomena vai, de certeza, ficar para sempre na minha memória. Pelos maus e pelos bons motivos. Em primeiro lugar, por saber que o coração daquela mulher bate todos os instantes na incerteza, no medo, na angústia. Pelos bons, porque ela consegue transmitir uma força e uma perseverança que todos nós duvidamos ter. É difícil de imaginar, para nós que vivemos num mundo às vezes injusto, mas quase sempre cor-de-rosa, que há quem viva numa tortura constante e indisfarçável.
Não vale a pena aqui dizer o que ela me contou, porque isso já está publicado, queria apenas referir o que lhe disse no final da entrevista: Ela não é frágil como me assumiu, ao contrário, é uma mulher cheia de força e com uma coragem notável. Ela acredita que o seu filho lhe vai bater à porta e nenhuma mãe se engana. Quem somos nós para duvidar?
Revoltou-me saber que havia quem lhe pedisse para se resignar, pois quem lhe dá um conselho desses está-lhe a pedir para desistir daquilo que a faz viver. Eu pedi-lhe para não desistir, para acreditar. Acredito que um dia ainda a veremos "respirar" de novo.
Segunda-feira, Maio 21, 2007
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
2 goles de rum:
E eu tambem espero que sim!
Só quem mantem a esperança, mantem a força!
Bjs
Que belo depoimento amigo. Obrigada.
Enviar um comentário